"Quis nunca te perder. Tanto que demais via em tudo o céu, fiz de tudo o cais, dei-te pra ancorar doces deletérios. Eu quis ter os pés no chão. Tanto eu abri mão que hoje eu entendi, sonho não se dá, é botão de flor... O sabor de fel é de cortar.
Eu sei, é um doce te amar, o amargo é querer-te pra mim. O que eu preciso é lembrar, me ver, antes de te ter e de ser teu, muito bem.
Quis nunca te ganhar. Tanto que forjei asas nos teus pés, ondas pra levar. Deixo desvendar todos os mistérios. Sei, tanto te soltei que você me quis em todo lugar. Lia em cada olhar, - quanta intenção - eu vivia preso.
Eu sei, é um doce te amar, o amargo é querer-te pra mim. Do que eu preciso é lembrar, me ver, antes de te ter e de ser teu. O que eu queria, o que eu fazia, o que mais? Que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê? Não sei mais.
Os dias que eu me vejo só são dias que eu me encontro mais. E mesmo assim eu sei tão bem, existe alguém pra me libertar." (A)
"(...) – Bem, como vai você? Levo assim, calada, de lado do que sonhei um dia. Como se a alegria recolhesse a mão pra não me alcançar. Poderia até pensar que foi tudo sonho. Ponho meu sapato novo e vou passear sozinha, como der. Eu vou até a beira. Besteira qualquer, nem choro mais. Só levo a saudade, e é tudo que vale a pena." (D)
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